
Um dia acordei decidida.
A adoptar uma realidade feita, à minha medida,
Com tempo estagnado e espaço controlado.
Não queria correr nem ficar perdida.
Mas estar, sentir, ser… Viver!
Sem hipótese para a racionalização
(Vício constante ao real obrigatório e inflexível…).
Adoptei-a de facto e sem custo excessivo.
Espantei-me sempre com a sua confirmação,
A da minha criação tão necessária.
Enquanto Lá, vivi intensamente…
Lá, estive naturalmente e feliz.
Impedi todo e qualquer pensamento objectivo.
Busquei sempre a extinção de qualquer culpa,
(Qual tortura normalmente inesgotável!…)
E consegui!
Depois, outro dia (de Lá) quis sair.
Dei por mim levemente cansada,
Em lugar familiar, de onde não tinha talvez saído,
Sentia as vivências à flor da pele,
Denunciadoras de uma felicidade intencional,
Necessária e sensivelmente construída…
Onde é que eu tinha estado? Ou estava ainda…?
(Tinha dúvidas.)
Pensei no tempo estagnado, espaço controlado,
Desenhados unicamente por mim, para mim…
Ri insolente!.. Intensamente, irreverentemente…
Com a intensidade de uma alma livre,
Tal como sempre quis.
Depois… um pensar enegrecido dominou!…
Sofri… num formato superficial…
Durante um tempo…
(Curto para o que o real exige)
Não me importei, mais uma vez.
Pressenti logo que (a) uma realidade chegava…
Pensei, racionalizei, como antigamente.
E finalmente, quando quis voltar,
Sem saber para onde,
Já não consegui.
Helena Menezes
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