Saudade
Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
sói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés
Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas
Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta
Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono
Mia Couto
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Também eu já começo a sentir Saudades…
..da transparência da água…
…do brilho da luz…
…da veemência de todo aquele verde…
..dos enigmáticos dias de nevoeiro…
…mas principalmente, de toda a perfeição “captada” nos nossos passeios (como esta bellissima foto!!)
Também eu receio que animais atormentem o meu sono…
…e me façam perder a energia…
…a coragem…
…a felicidade…
…mas principalmente, o amor que sinto quando estou junto de ti…